
Um ancião de cabelos brancos e longa barba está de pé frontalmente, segurando na sua mão direita uma cruz com dupla travessa, enquanto a esquerda se ergue à altura do peito com a palma aberta. Trata-se de um afresco que adorna o nártex do catholicon do Sagrado Mosteiro de Hilandar no Monte Athos, obra de um iconógrafo anônimo do século XVIII. A figura representada é o Venerável Máximo, o Kafsokalyvitis, uma das fisionomias mais peculiares do monasticismo athonita tardio. Originário de Lâmpsaco da Ásia Menor, nascido por volta de 1280, o no mundo Manuel abandonou aos dezessete anos o lar paterno e, passando pelos círculos ascéticos de Ganos na Trácia, chegou finalmente a Athos. O cognome Kafsokalyvitis nasceu do seu hábito de incendiar repetidamente a sua cabana e transferir-se para outro lugar, renunciando a todo vínculo com a permanência. A oração noética, à qual se dedicou com inusitada intensidade, levou-o para perto de figuras como São Gregório, o Sinaíta. Na iconografia do Monte Athos, a sua presença associou-se estavelmente ao tipo do ancião hesicasta, exatamente como o retrata a composição de Hilandar.
Máximo, o Kafsokalyvitis na arte pós-bizantina de Hilandar
O azul profundo do fundo é interrompido apenas por nuvens cinzentas e esquematizadas que lembram a representação convencional do céu na pintura athonita pós-bizantina. A auréola, amarelo-escura no centro com uma fina linha perimetral de cor vermelha escura e contorno externo branco, emoldura a cabeça sem tocar os ombros. O rosto, cheio de rugas profundas na testa e círculos sombreados debaixo dos olhos, trai a longa ascese e as vigílias noturnas que a vida do venerável descreve. A barba, longa e inteiramente branca, desce em duas extremidades que se separam à altura do pescoço, ali onde um pequeno anel prende o manto. Na mão direita, baixo perto da cintura, o venerável segura a cruz, de tonalidade dourada, enquanto a esquerda se ergue diante do peito mostrando a palma aberta, gesto que na iconografia bizantina e pós-bizantina denota virgindade e consagração. O manto, castanho profundo com dobras representadas de modo quase linear, cobre uma túnica interna de cor carmesim profundo que cai verticalmente até os pés.

O detalhe do rosto
Em uma tomada mais estreita, os traços do venerável adquirem maior intensidade. As sobrancelhas, espessas e brancas, arqueiam-se sobre olhos encovados, com um olhar que não busca o espectador, mas parece voltado para dentro. O bigode funde-se com a barba em uma única massa branca, deixando descobertos apenas os lábios, pintados num leve tom de tijolo. A epiderme, reproduzida com os típicos ocres e tons castanhos da encarnação pós-bizantina, exibe finos claro-escuros lineares nas maçãs do rosto e na testa. Na superfície do afresco distinguem-se pequenas fissuras do tempo, marcas de um desgaste que o visitante do nártex frequentemente ultrapassa, sem o discernir.
(Tradução do texto grego por P. Ioannou.)
